Os inquéritos publicados coincidem numa coisa: usar brinquedos sexuais é comum, tanto a sós como a dois, e em algumas amostras a maioria dos inquiridos fá-lo.
A principal limitação
São inquéritos feitos num único momento: retratam o que as pessoas contam sobre um tema íntimo e não permitem saber o que causa o quê.
Na prática
Se se pergunta se é a única pessoa que usa brinquedos sexuais, os dados dizem o contrário: é uma prática frequente em muitas idades e orientações.
Que tipo de estudos há
Descritivos ou de especialistas 6
Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.
O que dizem os estudos no seu conjunto
Os inquéritos publicados coincidem numa coisa: usar brinquedos sexuais é comum, tanto a sós como a dois, e em algumas amostras a maioria dos inquiridos fá-lo.
As percentagens variam muito consoante a quem se pergunta: quase todos os estudos centram-se em adultos de um país ou num grupo concreto, como homens gays e bissexuais, mulheres com mais de 60 anos, estudantes universitárias ou mulheres que têm sexo com mulheres.
Entre as mulheres repete-se um padrão: os brinquedos usam-se bastante mais na masturbação do que no sexo a dois. Na amostra alemã, porém, o uso a dois e a sós ficou quase igualado.
Há também diferenças por idade e orientação sexual: num estudo canadiano, as mulheres, os adultos mais jovens e as pessoas homossexuais ou bi/pansexuais tinham mais probabilidade de declarar que os usavam.
Onde não há acordo
Os números não coincidem de um estudo para outro porque as perguntas são diferentes («alguma vez na vida», «no último ano», «quase sempre») e as populações também. Por isso, não faz sentido fazer médias nem dizer quantas pessoas os usam «em geral».
Limites da evidência
São inquéritos feitos num único momento: retratam o que as pessoas contam sobre um tema íntimo e não permitem saber o que causa o quê.
As amostras online tendem a atrair pessoas mais abertas ao tema, e vários estudos centram-se num único país ou grupo, pelo que não se podem generalizar a toda a gente. Nenhum destes trabalhos mede se usar brinquedos é bom ou mau para a saúde.
Os estudos, um a um
Reunimos 6 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.
O que encontraram: As participantes usavam brinquedos sexuais muito mais na masturbação do que no sexo a dois: 46,4 % usavam-nos quase sempre ou sempre ao masturbar-se, contra 5,1 % no sexo a dois. (Hille et al., 2026)
População Mulheres com 60 anos ou mais residentes nos EUARevistaMenopause
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Participants reported much greater use of sex toys during masturbation than during sex with a partner. Of the women who reported masturbating at least once in the last year, 46.4% used toys almost always or always during masturbation, compared with 5.1% who used sex toys almost always or always during partnered sex.” Hille et al., 2026
O que encontraram: As mulheres, os adultos mais jovens, as pessoas que se identificavam como virgens e as pessoas homossexuais ou bi/pansexuais tinham mais probabilidade de declarar que usavam brinquedos sexuais. (Williams et al., 2025)
“Women, younger adults, self-identified virgins, homosexual or bi/pansexual individuals, and those with a history of childhood sexual victimization were more likely to report sex toy use.” Williams et al., 2025
O que encontraram: Mais de 50 % das mulheres inquiridas usavam brinquedos sexuais durante a masturbação e 30 % incorporavam-nos na atividade a dois. (Stokłosa et al., 2026)
O que encontraram: 78,5 % dos homens gays e bissexuais inquiridos tinham usado pelo menos um tipo de brinquedo sexual. (Rosenberger et al., 2012)
População Homens gays e bissexuais dos EUARevistaArch Sex Behav
Citação literal do resumo original (em inglês)
“A majority (78.5%) of gay and bisexually identified men reported having used at least one type of sex toy, including dildos (62.1%), non-vibrating cock rings (51.9%), vibrators (49.6%), butt plugs (34.0%), masturbation sleeves (27.9%), and anal beads or balls (19.3%).” Rosenberger et al., 2012
O que encontraram: 13,4 % (30/224) das participantes usaram brinquedos sexuais com as suas parceiras mulheres durante o último ano; destas, 43,3 % (13/30) usaram-nos sempre com preservativo e 36,7 % (11/30) partilharam brinquedos sexuais. (Wang et al., 2012)
População Mulheres que têm relações sexuais com mulheres em Pequim, na ChinaRevistaPLoS One
Citação literal do resumo original (em inglês)
“In the past year, 13.4% (30/224) reported using sex toys with their female partners; of these, 43.3% (13/30) reported consistent condom use with the sex toys and 36.7% (11/30) had shared sex toys.” Wang et al., 2012
Se se pergunta se é a única pessoa que usa brinquedos sexuais, os dados dizem o contrário: é uma prática frequente em muitas idades e orientações.
Se partilha um brinquedo com outra pessoa, limpe-o entre utilizações ou use um preservativo novo. Um dos estudos registou que partilhar brinquedos é algo que acontece na prática.
Os números destes inquéritos descrevem hábitos de grupos concretos, não o que cada pessoa deve fazer.