Os inquéritos que perguntam às mulheres pelos vibradores concluem que é uma prática generalizada: muitas já os usaram alguma vez, tanto a sós como com parceiro ou parceira.
A principal limitação
Quase todos são inquéritos feitos num único momento, com voluntárias, e dois dos estudos provêm da mesma amostra nacional dos EUA.
Na prática
O que os estudos mostram é descritivo: quantas mulheres os usam e que pontuações obtêm num questionário. Não provam que um vibrador produza um resultado concreto.
Que tipo de estudos há
Descritivos ou de especialistas 4
Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.
O que dizem os estudos no seu conjunto
Os inquéritos que perguntam às mulheres pelos vibradores concluem que é uma prática generalizada: muitas já os usaram alguma vez, tanto a sós como com parceiro ou parceira.
Numa amostra de mulheres que têm sexo com mulheres dos EUA, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, a maioria já os tinha usado.
Vários estudos associam o uso a melhores pontuações no questionário de função sexual feminina (FSFI), que abrange domínios como o desejo, a excitação, a lubrificação e o orgasmo.
No estudo com mulheres com parceira, a diferença surgia em quem tinha usado o vibrador com a parceira no último mês, e não em quem só o usava na masturbação.
Onde não há acordo
O facto de as utilizadoras terem pontuações mais altas não significa que o vibrador seja a causa: pode acontecer que as mulheres mais à vontade com a sua sexualidade sejam também as que mais os usam. Estes estudos não permitem separar uma coisa da outra.
Limites da evidência
Quase todos são inquéritos feitos num único momento, com voluntárias, e dois dos estudos provêm da mesma amostra nacional dos EUA. Faltam ensaios aleatorizados com população em geral.
Os estudos, um a um
Reunimos 4 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.
O que encontraram: 74,1 % das participantes indicaram que já tinham usado vibradores. (Schick et al., 2012)
População Mulheres dos EUA, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália que tinham tido pelo menos um encontro sexual com uma mulher durante o ano anteriorRevistaSex Transm Infect
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Participants indicated a wide diversity of sexual behaviours with the majority of women reporting a history of genital rubbing (99.8%), vaginal fingering (99.2%), genital scissoring (90.8%), cunnilingus (98.8%) and vibrator use (74.1%).” Schick et al., 2012
O que encontraram: O uso de vibradores com uma parceira sexual mulher no último mês associou-se a pontuações mais altas em vários domínios da função sexual do que não os usar ou usá-los apenas durante a masturbação. (Schick et al., 2011)
População Mulheres dos EUA e do Reino Unido que tinham tido relações sexuais exclusivamente com mulheres durante o ano anteriorRevistaJ Sex Med
Citação literal do resumo original (em inglês)
“In contrast to lifetime use, participants who used a vibrator with a female sexual partner in the previous month scored higher on several of the FSFI domains than women who reported no vibrator use or vibrator use only during solo masturbation in the past month.” Schick et al., 2011
O que encontraram: O uso recente de vibradores relacionou-se de forma significativa com vários aspetos da função sexual, e as suas utilizadoras obtiveram pontuações mais altas na maioria dos domínios. (Herbenick et al., 2009)
População Mulheres norte-americanas dos 18 aos 60 anosRevistaJ Sex Med
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Vibrator use was significantly related to several aspects of sexual function (i.e., desire, arousal, lubrication, orgasm, pain, overall function) with recent vibrator users scoring higher on most sexual function domains, indicating more positive sexual function.” Herbenick et al., 2009
O que encontraram: O uso de vibradores relacionou-se com uma função sexual positiva, medida através do Índice de Função Sexual Feminina (FSFI). (Herbenick et al., 2010)
“Most vibrator users indicated comfort using them with a partner and vibrator use was related to positive sexual function as measured by the Female Sexual Function Index (FSFI).” Herbenick et al., 2010
O que os estudos mostram é descritivo: quantas mulheres os usam e que pontuações obtêm num questionário. Não provam que um vibrador produza um resultado concreto.
O facto de o uso ser comum significa que não há nada de estranho em interessar-se por eles nem em falar do assunto com o parceiro ou a parceira.
Cada pessoa responde de forma diferente: o que aparece num grupo não prevê o que acontecerá consigo.