Os estudos sobre este tema saem dos serviços de urgência: descrevem os casos em que algo corre mal, não o uso habitual.
A principal limitação
Só contam quem chega ao hospital com um problema, pelo que não se pode calcular o risco real.
Na prática
Os casos descritos são sobretudo objetos que ficaram retidos e, entre os mais frequentes, há objetos de vidro, que não foram concebidos para este uso.
Que tipo de estudos há
Sínteses de estudos 1
Observacionais 2
Descritivos ou de especialistas 2
Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.
O que dizem os estudos no seu conjunto
Os estudos sobre este tema saem dos serviços de urgência: descrevem os casos em que algo corre mal, não o uso habitual.
Uma revisão sistemática de 54 artigos sobre corpos estranhos retais autoinseridos concluiu que a motivação mais frequente era a estimulação sexual e que os objetos mais habituais eram dispositivos sexuais e objetos de vidro.
Nos dados de urgência dos EUA entre 2012 e 2021, mais de metade dos casos eram dispositivos sexuais e quatro em cada dez doentes precisaram de internamento hospitalar.
As séries de casos de hospitais coincidem: numa série de 21 doentes, a causa foi uma preferência sexual na maioria e, noutra, de 10 doentes, todos eram homens e todos acabaram por admitir a autoinserção, mas só um deu uma história exata à admissão.
Nos dados nacionais da Suécia, a incidência aumentou, sobretudo em homens, e no registo local houve um excesso de brinquedos sexuais que levaram a uma laparotomia e a um estoma.
Onde não há acordo
Não há desacordo de fundo entre estes estudos; o que muda é o tipo de objeto e a gravidade. Nenhum compara objetos seguros e inseguros nem diz com que frequência o problema ocorre entre todas as pessoas que praticam sexo anal.
Limites da evidência
Só contam quem chega ao hospital com um problema, pelo que não se pode calcular o risco real. As séries são pequenas e de um único centro, e o pudor atrasa a consulta e pode distorcer o que os doentes contam.
Os estudos, um a um
Reunimos 5 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.
O que encontraram: Uma revisão sistemática de 54 artigos sobre corpos estranhos retais autoinseridos concluiu que a motivação mais frequente era a estimulação sexual e que os objetos mais frequentes eram dispositivos sexuais (35,7 %) e objetos de vidro (17,5 %). (Ploner et al., 2020)
População Doentes com corpos estranhos retais, sobretudo homens jovensRevistaActa Gastroenterol Belg
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Sexual devices (35.7%, n=108) and glass objects (17.5%, n=53) are the most commonly self-inserted rectal foreign bodies.” Ploner et al., 2020
O que encontraram: Nas urgências dos EUA (2012-2021), de 885 casos de corpos estranhos retais, 55,4 % eram dispositivos sexuais e 40,8 % necessitaram de hospitalização. (Loria et al., 2023)
População Adultos com 15 anos ou mais atendidos nas urgências dos EUARevistaAm J Emerg Med
Citação literal do resumo original (em inglês)
“55.4% of foreign bodies were sexual devices, and 40.8% required hospitalization” Loria et al., 2023
O que encontraram: Nos dados nacionais suecos, a incidência de corpos estranhos retais aumentou, sobretudo em homens, e no registo local houve sobrerrepresentação de brinquedos sexuais que levaram a laparotomia e estoma. (Dahlberg et al., 2019)
População Doentes com corpo estranho no ânus e no reto na SuéciaRevistaInt J Colorectal Dis
Citação literal do resumo original (em inglês)
“in our local register there was an overrepresentation of sex toys leading to laparotomy and stoma” Dahlberg et al., 2019
O que encontraram: Em 21 doentes hospitalizados por corpos estranhos retais num centro, as preferências sexuais foram a causa em 15 (71,4 %). (Bisgin et al., 2023)
O que encontraram: Em 10 doentes de hospitais de Trinidad e Tobago com corpos estranhos retais retidos, todos eram homens, todos admitiram a autoinserção por gratificação sexual e só um deu uma história exata à admissão. (Cawich et al., 2017)
População Homens com corpos estranhos retais retidosRevistaAm J Mens Health
Citação literal do resumo original (em inglês)
“all eventually admitted to self-insertion for sexual gratification” Cawich et al., 2017