O que diz a ciência sobre os lubrificantes no sexo anal

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Última revisão: Redação e revisão: Equipa Loviux. 7 estudos

Confrontamos cada resumo com o resumo (abstract) original do estudo: a citação é literal e os números coincidem. Como verificamos a informação

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Nesta página
  1. Em 30 segundos
  2. O que dizem os estudos no seu conjunto
  3. Onde não há acordo
  4. Limites da evidência
  5. Os estudos, um a um
  6. O que significa na prática
  7. Outros temas da biblioteca

Em 30 segundos

O que dizem os estudos
A evidência é mais escassa do que para o uso vaginal e provém sobretudo de estudos com homens que têm sexo com homens, feitos no contexto da prevenção de infeções.
A principal limitação
Muitos são estudos observacionais de um grupo concreto, e as alterações na microbiota não são uma doença.
Na prática
Os dados apontam para não partilhar a mesma embalagem ou gel entre pessoas nem entre práticas com possível sangramento.

Que tipo de estudos há

  • Sínteses de estudos 1
  • Ensaios aleatorizados 2
  • Observacionais 4

Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.

O que dizem os estudos no seu conjunto

A evidência é mais escassa do que para o uso vaginal e provém sobretudo de estudos com homens que têm sexo com homens, feitos no contexto da prevenção de infeções.

Uma revisão sistemática realizada para a OMS conclui que, embora a evidência seja limitada, os lubrificantes parecem uma opção aceitável para melhorar a saúde e o bem-estar sexuais.

Num estudo de diário com mulheres adultas, o lubrificante de base aquosa associou-se a mais prazer e satisfação no sexo anal do que não usar nenhum.

Com o preservativo, um estudo com casais de homens associou a rutura à falta de lubrificante adicional ou ao uso de um inadequado.

Outros trabalhos acrescentam matizes: um ensaio pequeno observou alterações na microbiota retal após aplicar um lubrificante hiperosmolar durante sete dias; em homens nigerianos, usar vaselina associou-se a menor diversidade da microbiota; um gel de carragenina não mostrou efeito protetor contra o HPV anal e teve mais efeitos adversos do que o placebo; e, num estudo de casos e controlos, partilhar o lubrificante no fisting associou-se a hepatite C recente.

Onde não há acordo

Não há uma mensagem única porque os estudos medem coisas diferentes: prazer, rutura do preservativo, microbiota ou infeções. Um lubrificante pode associar-se a mais conforto e, ao mesmo tempo, a alterações que ainda não sabemos interpretar.

Limites da evidência

Muitos são estudos observacionais de um grupo concreto, e as alterações na microbiota não são uma doença. Nenhum compara de forma direta os tipos de lubrificante que se vendem, e vários são antigos ou de amostras pequenas.

Os estudos, um a um

Reunimos 7 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.

Índice (7)
Tipo de estudo: Revisão sistemática2021

Lubricants for the promotion of sexual health and well-being: a systematic review.

O que encontraram: Uma revisão sistemática realizada para a OMS conclui que, embora a evidência seja limitada, os lubrificantes parecem uma opção aceitável para melhorar a saúde e o bem-estar sexuais. (Kennedy et al., 2021)

População Revisão de estudos de eficácia e de preferências em populações diversas Revista Sex Reprod Health Matters

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Although evidence is limited, lubricants appear to offer an acceptable approach to improving sexual health and well-being.” Kennedy et al., 2021

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: EstudoAmostra n = 2 4532011

Association of lubricant use with women's sexual pleasure, sexual satisfaction, and genital symptoms: a prospective daily diary study.

O que encontraram: Num estudo de diário com 2.453 mulheres, o lubrificante de base aquosa associou-se a maior prazer e satisfação sexual no sexo anal com pénis em comparação com não usar lubrificante. (Herbenick et al., 2011)

População 2.453 mulheres adultas que usaram um de seis lubrificantes de água ou silicone durante 5 semanas Revista J Sex Med

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Water-based lubricant use was associated with higher ratings of sexual pleasure and satisfaction for penile-anal sex as compared with no lubricant use.” Herbenick et al., 2011

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: EstudoAmostra n = 2832001

An evaluation of a thicker versus a standard condom with gay men.

O que encontraram: Num ensaio com 283 casais de homens, a rutura do preservativo associou-se, entre outros fatores, à falta de lubrificante adicional e ao uso de um lubrificante inadequado. (Golombok et al., 2001)

População 283 casais de homens homossexuais Revista AIDS

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Behaviours associated with breakage were unrolling the condom before fitting to the penis, longer penis length, absence of additional lubricant, the use of inappropriate lubricant, and longer duration of intercourse” Golombok et al., 2001

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: Ensaio clínico aleatorizadoAmostra n = 602018

Repeated rectal application of a hyperosmolar lubricant is associated with microbiota shifts but does not affect PrEP drug concentrations: results from a randomized trial in men who have sex with men.

O que encontraram: Num ensaio com 60 homens que têm sexo com homens, aplicar um lubrificante hiperosmolar no reto durante sete dias associou-se a alterações na microbiota retal, sem afetar as concentrações dos fármacos de profilaxia contra o VIH. (Haaland et al., 2018)

População 60 homens VIH negativos que têm sexo com homens Revista J Int AIDS Soc

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Repeated rectal application of a hyperosmolar lubricant does not affect mucosal PrEP drug concentrations but is associated with changes in the rectal microbiome.” Haaland et al., 2018

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: Ensaio clínico aleatorizado2022

Efficacy of a carrageenan gel in preventing anal human papillomavirus (HPV) infection: interim analysis of the Lubricant Investigation in Men to Inhibit Transmission of HPV Infection (LIMIT-HPV) randomised controlled trial.

O que encontraram: Num ensaio com placebo em homens que têm sexo com homens, um gel de carragenina usado no sexo anal não mostrou efeito protetor contra novas deteções de HPV anal e teve mais efeitos adversos (59,8 % contra 39,8 % com placebo). (Laurie et al., 2022)

População Homens gays, bissexuais e outros homens que têm sexo com homens, em Montreal (Canadá) Revista Sex Transm Infect

Citação literal do resumo original (em inglês)

“The interim analysis did not demonstrate a protective effect of carrageenan on the risk of new detections of anal HPV infection among gbMSM.” Laurie et al., 2022

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: Estudo observacional2026

Metagenomic analysis reveals rectal microbiota features associated with HIV and behavioral factors in Nigerian men who have sex with men.

O que encontraram: Em homens nigerianos que têm sexo com homens, usar vaselina como lubrificante no sexo anal associou-se a menor diversidade da microbiota retal (estudo observacional). (Nowak et al., 2026)

População Homens nigerianos que têm sexo com homens Revista Sci Rep

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Lower α-diversity (Shannon) was associated with use of petroleum jelly lubricant for anal sex.” Nowak et al., 2026

Consulte o original: DOI · PubMed

Tipo de estudo: Estudo de casos e controlos2024

Still trouble with bleeding: Risk factors for HCV transmission in men who have sex with men and behavioural trajectories from 2019 to 2021.

O que encontraram: Num estudo de casos e controlos com homens que têm sexo com homens na Alemanha, partilhar o lubrificante usado no fisting associou-se à infeção recente por hepatite C, juntamente com outras práticas que implicam exposição a sangue. (Schmidt et al., 2024)

População 197 casos de hepatite C recente e 314 controlos, homens que têm sexo com homens, na Alemanha Revista HIV Med

Citação literal do resumo original (em inglês)

“Factors independently associated with case status included sex-associated rectal bleeding, shared fisting lubricant, anal douching” Schmidt et al., 2024

Consulte o original: DOI · PubMed

O que significa na prática

  • Os dados apontam para não partilhar a mesma embalagem ou gel entre pessoas nem entre práticas com possível sangramento.
  • Os estudos não permitem recomendar um tipo ou marca concretos de lubrificante.
  • Se houver dor, sangramento ou desconforto que não passe, consulte um profissional de saúde.

Se tiver dores ou desconforto, consulte um profissional de saúde.

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