É um tema em que a ciência está dividida. Uma revisão sistemática conclui que há dados científico-clínicos fiáveis que sustentam a existência de uma estrutura anatómica do ponto G.
A principal limitação
A existência anatómica assenta em estudos pequenos e em revisões desses estudos.
Na prática
Não é preciso localizar um ponto concreto para desfrutar: os estudos não o apresentam como requisito.
Que tipo de estudos há
Sínteses de estudos 1
Descritivos ou de especialistas 4
Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.
O que dizem os estudos no seu conjunto
É um tema em que a ciência está dividida. Uma revisão sistemática conclui que há dados científico-clínicos fiáveis que sustentam a existência de uma estrutura anatómica do ponto G.
Outra revisão, sobre a anatomia do clitóris, lembra que a origem do erotismo vaginal pode não se dever apenas à estimulação do clitóris, mas também não o exclui.
Onde há mais acordo é em torno do mito.
Uma norma clínica de ginecologia lembra que faltam dados de alta qualidade que sustentem a eficácia dos procedimentos cirúrgicos genitais cosméticos e, em inquéritos a profissionais de saúde e estudantes de Medicina de Portugal e da Arábia Saudita, a maioria considerou que o «aumento do ponto G» não se justifica por razões médicas.
Uma revisão sobre lesão medular propõe incluir a estimulação da parede vaginal na autoexploração, juntamente com a do clitóris, do colo do útero e dos mamilos.
Onde não há acordo
A divergência está em saber se o ponto G é uma estrutura anatómica própria ou uma zona relacionada com o clitóris. Os estudos aqui reunidos não o resolvem e não há consenso.
Limites da evidência
A existência anatómica assenta em estudos pequenos e em revisões desses estudos. Os inquéritos a profissionais recolhem opiniões, não provas de eficácia, e não há ensaios que comparem técnicas de estimulação.
Os estudos, um a um
Reunimos 5 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.
O que encontraram: Os dados científico-clínicos fiáveis sustentam a existência de uma estrutura anatómica do ponto G. (Ostrzenski et al., 2019)
População Estudos post mortem e in vivo sobre o ponto GRevistaClin Anat
Citação literal do resumo original (em inglês)
“The findings indicate that there are reliable scientific-clinical data to support the existence of an anatomical G-spot structure.” Ostrzenski et al., 2019
O que encontraram: Não há dados de alta qualidade que sustentem a eficácia dos procedimentos cirúrgicos genitais cosméticos. (Obstet Gynecol, 2020)
População Mulheres que ponderam procedimentos cirúrgicos genitais cosméticosRevistaObstet Gynecol
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Women should be informed about the lack of high-quality data that support the effectiveness of genital cosmetic surgical procedures and counseled about their potential complications, including pain, bleeding, infection, scarring, adhesions, altered sensation, dyspareunia, and need for reoperation.” Obstet Gynecol, 2020
O que encontraram: A maioria dos participantes considerou que nunca ou raramente existe motivo médico para realizar um aumento do «ponto G» (71,0 % [409/576]). (Vieira-Baptista et al., 2017)
“Most participants considered that there is never or there rarely is a medical reason to perform: vulvar whitening (85.9% [502/584]); hymenoplasty (72.0% [437/607]); mons pubis liposuction (71.6% [426/595]); "G-spot" augmentation (71.0% [409/576])” Vieira-Baptista et al., 2017
O que encontraram: A maioria dos participantes considerou que o aumento do ponto G não se justifica por razões médicas. (Iqbal et al., 2021)
População Profissionais de saúde e estudantes de Medicina da Arábia SauditaRevistaRev Bras Ginecol Obstet
Citação literal do resumo original (em inglês)
“The majority of the participants considered that vaginal rejuvenation, "G-spot" augmentation, clitoral surgery, and hymenoplasty are not justifiable on medical grounds.” Iqbal et al., 2021
O que encontraram: A autoexploração em mulheres com lesão medular deveria incluir a estimulação vaginal do ponto G, além da estimulação do clitóris, do colo do útero e dos mamilos. (Courtois et al., 2017)
“Self-exploration should include not only clitoral stimulation, but also stimulation of the vagina (G spot), cervix, and nipples conveyed by different innervation sources.” Courtois et al., 2017
Não é preciso localizar um ponto concreto para desfrutar: os estudos não o apresentam como requisito.
Seja prudente com as promessas de procedimentos de «aumento do ponto G»: as normas clínicas assinalam que faltam dados de qualidade sobre a sua eficácia.
A resposta sexual varia muito de pessoa para pessoa, e os dados de um grupo não preveem o que acontecerá consigo.