Os estudos sobre cones e pesos vaginais, o objeto mais parecido com as bolas de Kegel que foi investigado, foram feitos com mulheres com incontinência urinária e como complemento do treino do pavimento pélvico, não por prazer.
A principal limitação
Os ensaios são pequenos, com mulheres em situações muito diferentes (pós-menopausa, pós-parto, incontinência de esforço ou de urgência), e uma das revisões é de 2001.
Na prática
O que os estudos sustentam é o treino do pavimento pélvico com supervisão profissional. Não provam que um objeto concreto seja melhor do que o exercício sem ele.
Que tipo de estudos há
Sínteses de estudos 5
Ensaios aleatorizados 2
Classificamos cada estudo pelo seu desenho. Uma síntese de muitos estudos ou um ensaio aleatorizado permite conclusões mais sólidas do que um inquérito ou uma opinião de especialistas. O desenho não diz se um resultado é bom ou mau.
O que dizem os estudos no seu conjunto
Os estudos sobre cones e pesos vaginais, o objeto mais parecido com as bolas de Kegel que foi investigado, foram feitos com mulheres com incontinência urinária e como complemento do treino do pavimento pélvico, não por prazer.
Uma revisão Cochrane conclui que o treino do pavimento pélvico parece eficaz na incontinência de esforço ou mista, e que a evidência sobre acrescentar-lhe cones vaginais é limitada.
Uma meta-análise de ensaios com mulheres com incontinência após o parto concluiu que o treino supervisionado com cones foi mais benéfico do que o treino individual, enquanto uma revisão sobre incontinência de urgência encontrou melhorias com todas as técnicas de fisioterapia exceto a dos cones.
Em dois ensaios pequenos com mulheres com incontinência de esforço, treinar com cones ou com pesos não deu diferenças claras nos sintomas em comparação com treinar sem eles, embora os pesos tenham melhorado a potência muscular no ensaio piloto.
Uma revisão sobre gravidez e pós-parto conclui que o treino do pavimento pélvico é eficaz quando há supervisão.
Onde não há acordo
Os resultados sobre os cones vão em direções diferentes: uma meta-análise considera-os benéficos com supervisão, outra revisão não encontra melhoria com eles, e os ensaios individuais não veem diferenças em comparação com o exercício sem cones.
Limites da evidência
Os ensaios são pequenos, com mulheres em situações muito diferentes (pós-menopausa, pós-parto, incontinência de esforço ou de urgência), e uma das revisões é de 2001. Uma delas assinala que não há consenso sobre qual a intervenção que funciona melhor.
Nenhum destes trabalhos estuda estes objetos para o prazer sexual.
Os estudos, um a um
Reunimos 7 estudos verificados. Cada resumo é nosso; a citação entre aspas é literal do resumo original, em inglês.
O que encontraram: Uma revisão Cochrane de mais de quarenta ensaios conclui que o treino do pavimento pélvico parece eficaz na incontinência de esforço ou mista, e que a evidência sobre acrescentar cones vaginais ou outros complementos é igualmente limitada. (Hay-Smith et al., 2001)
População Mulheres adultas com incontinência urinária (revisão de ensaios aleatorizados)RevistaCochrane Database Syst Rev
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Evidence of the effect of adding other adjunctive treatments to PFMT (e.g. vaginal cones, intravaginal resistance) is equally limited.” Hay-Smith et al., 2001
O que encontraram: Uma meta-análise de 17 ensaios em mulheres com incontinência urinária após o parto concluiu que o treino supervisionado do pavimento pélvico com cones vaginais foi mais benéfico para reduzir a incontinência do que o treino individual. (Chen et al., 2024)
População Mulheres com incontinência urinária pós-parto (17 ensaios aleatorizados)RevistaJ Midwifery Womens Health
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Supervised PFMT and use of a vaginal cone were more beneficial in decreasing rates of UI compared with individual PFMT.” Chen et al., 2024
O que encontraram: Uma revisão sistemática de 22 ensaios conclui que o treino do pavimento pélvico durante a gravidez e após o parto pode prevenir e tratar a incontinência urinária quando é feito com supervisão. (Mørkved et al., 2014)
População Mulheres grávidas ou no pós-parto, primíparas ou não (22 ensaios)RevistaBr J Sports Med
O que encontraram: Uma revisão sistemática de 13 ensaios encontrou melhorias significativas na incontinência de urgência com todas as técnicas de fisioterapia exceto a terapia com cones vaginais. (Greer et al., 2012)
População Mulheres com incontinência urinária de urgência (13 ensaios)RevistaInt Urogynecol J
Citação literal do resumo original (em inglês)
“Significant improvement in UUI was reported for all physiotherapy techniques except vaginal cone therapy.” Greer et al., 2012
O que encontraram: Uma revisão sistemática de 6 ensaios com 715 mulheres pós-menopausa com incontinência de esforço (com exercícios, cones vaginais, biofeedback e outras técnicas) concluiu que a fisioterapia foi eficaz em todos os estudos, mas não há consenso sobre qual é a intervenção mais eficaz. (Malinauskas et al., 2023)
População 715 mulheres pós-menopausa com incontinência urinária de esforçoRevistaArch Gynecol Obstet
Citação literal do resumo original (em inglês)
“There is not a literature consensus about the most effective pelvic floor physiotherapy intervention applied to stress urinary incontinence in postmenopausal women.” Malinauskas et al., 2023
O que encontraram: Num ensaio com 45 mulheres pós-menopausa com incontinência de esforço, tanto o treino com cones vaginais como o exercício sem cones reduziram as perdas de urina durante 12 meses, sem diferenças entre ambos. (Pereira et al., 2013)
População 45 mulheres pós-menopausa com incontinência urinária de esforçoRevistaNeurourol Urodyn
Citação literal do resumo original (em inglês)
“There were no differences between VC and PFMT group in primary outcome in any evaluations.” Pereira et al., 2013
O que encontraram: Num ensaio piloto de seis semanas com 35 mulheres com incontinência de esforço, treinar com pesos vaginais melhorou mais a potência muscular e as repetições de contração do que treinar sem pesos, mas sem diferenças significativas no principal sintoma de incontinência. (Bar Chen et al., 2025)
O que os estudos sustentam é o treino do pavimento pélvico com supervisão profissional. Não provam que um objeto concreto seja melhor do que o exercício sem ele.
Se tem perdas de urina, dor ou desconforto no pavimento pélvico, consulte um profissional de saúde antes de começar um programa por conta própria.
Se tiver dores ou desconforto, consulte um profissional de saúde.